16 set

Dois anos de Implante Coclear Bilateral do Alê

2015 190

Neste texto buscamos relatar as expectativas, o desenvolvimento e os resultados obtidos com a cirurgia de implante coclear bilateral do nosso filho Alexandre, que em outubro completará dois anos que está ouvindo do lado esquerdo.

A decisão pela cirurgia foi muito conversada entre nós pais, e discutimos às expectativas e os benefícios que o implante bilateral poderia beneficiar o Alexandre, já que ele estava muito bem com apenas um implante.

E decidimos baseados em conversas com profissionais da área e estudos que comprovam os benefícios do segundo implante. Deixando claro que cada decisão é única, e cabe a cada um analisar sua situação e decidir.

Nesse processo conversamos bastante com o Alexandre visando explicar porque queríamos fazer o implante bilateral e também deixando claro, como ele ia ouvir no início após a ativação.

Já na ativação, ele nos surpreendeu com as respostas que obteve com o implante novo, respondendo a vários comandos da fonoaudióloga. Chegando em casa ele nos pediu para falarmos mais baixo e a alegria foi ainda maior.

Com poucas semanas ele já respondia a maioria das palavras que conhecia, usando somente o implante novo, a dificuldade maior era para responder palavras que ele não conhecia, o que foi superado com o passar do tempo, o uso do processador de áudio novo e o estímulo.

Além das terapias realizadas no Centro Educacional do Deficiente Auditivo – CEDAU, continuamos com a nossa rotina de estímulos, brincadeiras e conversas em casa. Tudo que já havíamos feito no primeiro implante. Mas agora o foco principal das brincadeiras e das conversas era baseado na localização do som e no entendimento da fala no ruído.

Fazendo uma comparação com a primeira cirurgia, percebemos que o desenvolvimento e a compreensão da fala é muito mais rápido no implante novo, sem citar o processo de habilitação auditiva que comparado com o primeiro tornou-se muito mais ágil. Não que eu queira dizer que não precisa fazer reabilitação no novo implante, longe disso, mas sim que por ele já ter uma boa memória auditiva e um bom desenvolvimento, tudo ficou mais rápido.

Com o passar do tempo percebemos que o Alexandre faz menos esforço para entender o que falamos, e se cansa muito menos nas atividades escolares.

Além da localização sonora ter melhorado muito, e entender melhor a fala em ambientes ruidosos, outra vantagem é quando as baterias de um dos seus processadores de áudio acaba, ele não fica sem ouvir, pois o outro lado está funcionando, o que ocorre também quando um dos seus processadores precisa passar por manutenção.

Outro fato percebido é que ele não consegue mais fazer a leitura orofacial (LOF) quando está sem os implantes, na hora do banho, por exemplo. Mesmo usando todas as estratégias para que ele continue utilizando esse recurso.

Conversando com uma fonoaudióloga ela nos explicou que agora ele ouve dos dois lados, e é natural que ele não busque mais esse apoio.

Se vocês nos perguntarem se valeu a pena fazer o bi implante, a resposta vai ser sempre a mesma. Sim, deveríamos ter feito antes.

Passados quase dois anos, o Alexandre usa o mesmo mapa nos dois implantes. E as audiometrias feitas recentemente demonstram uma grande evolução nos resultados obtidos com o implante novo e consequentemente uma melhora significativa usando os dois implantes.

As expectativas iniciais tornaram-se realidade com o segundo implante, e já foram alcançadas pelo Alexandre e graças a Deus de uma forma maravilhosa.

Hoje o Alexandre ouve muito melhor, faz menos esforço para ouvir, e na maioria das vezes consegue dizer de onde vem o som. Tudo que desejávamos aconteceu, e ele diz que agora ouve de um modo mais claro e está muito feliz com os dois implantes cocleares.

Nada melhor do que dois ouvidos!

Assistam aos vídeos de Alexandre: O primeiro é na hora da ativação do Implante Coclear Bilateral (lado esquerdo) e o segundo é de 10 meses depois da ativação do novo implante.

 

 

6 comentários em “Dois anos de Implante Coclear Bilateral do Alê

  1. Oi Déborah, tudo bem? Adorei a idéia do seu blog e de vc compartilhar a sua experiência. Valeu!
    Minha dúvida e inquietações: O meu filho Bernardo, hj com oito anos e implantado no ouvido esquerdo há seis anos. Ando pensando no segundo implante, mas muitas dúvidas me norteia. Quando ele está sem o implante, ás vezes eu o chamo, alto lógico, e ele ouve, assim como ouve, por exemplo, latidos de cachorro, porta batendo forte, isso aconteceu quando o vento bateu a porta com força e ele perguntou: O que isso?.
    O Alexandre também ouvia alguma coisa sem o implante, na época em que ainda não era bi implantado?

    1. Oi Valéria, tudo bem sim!

      Quando começamos a pensar no implante bilateral, tivemos muitas dúvidas também, por isso, procuramos os profissionais da área e estudos sobre o assunto.

      Alexandre tem perda profunda bilateral, teve uma época que percebemos que ele começou a ouvir sem o implante, mais eram barulhos muito fortes, só que era dentro do banheiro, ambiente pequeno e fechado, procuramos uma fonoaudióloga para relatar esses acontecimentos e ela disse que seria a vibração que faria o Alexandre perceber esses sons altos, a questão é que ouvia, mas não identificava o que era, sem contar que o Alexandre usava o AASI desde que descobrimos a surdez, e esse ouvido que não era implantado foi bastante estimulado.

      Abraços

  2. Amo o IC, dois então ❤️❤️❤️❤️ Achei muito interessante qdo vc diz que ele não consegue fazer mais LOF. Com certeza devido a funcionalidade e confiança na audição. Mas mesmo com toda tecnologia e os acessórios, que cada dia proporciona o uso dos dispositivos em tudo, acho a LOF um recurso importante e a mais…talvez usar de estratégias para manter isso seria bom também na minha opinião. Mil para o nosso rapaz!

    1. Oi, Kátia

      Então, percebemos que ele desaprendeu muito a fazer a LOF, na hora do banho e também na hora de dormir quando desligamos o implante. Mesmo usando todas as estratégias para que ele possa entender, mas está muito difícil. Ainda bem que o banho é super rápido, risos.

      Antes da cirurgia do bilateral ficávamos impressionados de como ele conseguia fazer a LOF tão bem, coisa que ele desenvolveu sozinho. Mas continuamos tentando interagir nesses momentos.

      Beijosss

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